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RESUMO DA SEMANA – 08/01/2021

Data de criação:

access_time 08/01/2021 - 18:44

Data de atualização:

access_time 08/01/2021 - 21:44
format_align_left 11 minutos de leitura

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Retomando nosso resumo da primeira semana de 2021, diríamos que três temas se destacaram, já que, pelo menos no Brasil, muitos ainda estão de férias ou em recesso (parlamento e judiciário). No âmbito externo (e também interno), a imunização das populações em países deu o tom mais geral. Não menos importante tivemos o processo eleitoral nos EUA com invasão do Capitólio por trumpistas enfurecidos. Já no cenário local, Bolsonaro voltou de férias e produziu declarações polêmicas. Tudo isso regado por uma série de indicadores de conjuntura importantes anunciados aqui e no exterior.

Começando pelo covid-19, a constatação mundial foi de ampliação do contágio pelo vírus e a descobertas de variantes com maior potencial de infecção. Por conta disso, muitos países voltaram a endurecer regras de contato social e até o lockdown nacional na Inglaterra e parcial na Alemanha. Nesse rol estão países importantes como China e Japão, Coreia, índia, França e Alemanha; e principalmente os EUA. Infecção recordes e recordes também de óbitos, envolvendo ainda o Brasil, com quase 200 mil óbitos e quase 8,0 milhões de infectados.

Isso acabou acelerando a aprovação emergencial para aplicação de diferentes vacinas e medicamentos, e já na virada do ano o início de aplicação em pessoas mais expostas ao vírus. Israel parece estar mais avançado na imunização, e Boris Johnson, primeiro ministro britânico, disse já ter vacinado mais que todo o r4eesto da Europa somado. Os investidores no mundo reagiram com otimismo, já que permitiu a leitura de que a pandemia pode ir perdendo força ao longo do primeiro semestre de 2021, com a circulação e a economia voltando ao normal.

Resultado disso, a primeira semana de 2021 ficou marcada pelo batimento constante de recordes pelos três principais indicadores do mercado acionário americano, pelo índice Bovespa que beirou os 123000 pontos e pelo índice Nikkei do Japão no maior patamar em 30 anos. Claro que tivemos outras variáveis interferindo positivamente nesse processo, como petróleo e minério em alta e também a celulose e aço.

Já o desenrolar das eleições americanas trouxe enorme preocupação ao mundo quando em 06/01 o Capitólio americano foi invadido e depredado por trumpistas, estimulados segundo o noticiário pelo próprio presidente que nada fez para coibir o vandalismo. Essa invasão acabou interrompendo a sessão que certificaria Joe Biden e Kamala Harris como presidente e vice, já a partir do próximo dia 20/01. No desdobramento desse ataque a democracia, não só os democratas como os republicanos criticaram muito, e lideranças passaram a pedir a destituição imediata de Donald Trump, como Schumer e Nancy Pelosi recém reeleita para comandar a Câmara. Além disso não foram poucos os assessores de Trump que se demitiram após o episódio que teve quatro mortes.

Isso se contrapôs a chamada onda azul democrata, com a eleição de dois senadores do partido na Georgia com o comando do Senado saindo das mãos dos republicanos. Já para a imprensa internacional Trump passou a ser considerado “pato manco”, com sua força e poder dentro do partido em forte queda. Já a onda azul pode permitir maior agilidade para Joe Biden em aprovar medidas, começando pelo cheque cidadão de US$ 2000 e novas medidas de estimulo fiscal. Isso mexeu não só com o mercado acionário, mas principalmente com o dólar mais forte e curva de juros em alta.

No que tange aos indicadores de conjuntura, a semana foi marcada pela divulgação de indicadores PMI (e ISM de Chicago também) da atividade industrial, serviços e composto (indústria e serviços) para diferentes países no mês de dezembro. De forma geral vieram melhores ou acima de 50 pontos, o que significa expansão da atividade. Citamos o PMI composto da Alemanha em 52,0 pontos e da zona do euro em alta para 49,1 pontos. Na China o PMI caixin caiu para 55,8 pontos e nos EUA em queda para 55,3 pontos. No Brasil também caiu para 53,5 pontos, mas ainda em expansão. Na zona do euro a inflação medida pelo PPI de novembro (atacado) foi de 0,4% e na Alemanha o CPI (consumidor) de dezembro foi de 0,5%, mas mostrando deflação de 0,3% contra igual período de 2019.

Nos EUA o dado mais importante foi a divulgação do payroll de dezembro com a contração de vagas nos setores público e privado encolhendo 140000 posições, quando o esperado era +10000. A taxa de desemprego ficou estável em 6,7% (previsto era 6,8%) e o salário médio por hora trabalhada evoluiu em 2020 5,08% (dezembro com +0,78%). O saldo da balança comercial de novembro mostrou déficit de US$ 68,1 bilhões e o governo abriu um novo programa de US$ 25 bilhões para ajuda em alugueis. Falando nisso, os investimentos em construção expandiram 0,9% em novembro, de previsão de +1,2%.

Importante também o posicionamento de dirigentes regionais do FED sobre a economia, ao dizerem que a pandemia é que vai determinar o caminho da economia nos próximos trimestre, com boa chance de início de ano fraco. A ata da última reunião do FED veio mantendo a postura de anteriores e a linha de declaração dos dirigentes, mostrando as incertezas, necessidade de estímulos e dizendo que caso necessário usarão todo o ferramental disponível para apoiar a economia. Não esperam aumento de juros tão cedo e nem inflação muito elevada.

Temos que considerar ainda o bom impulso na semana dado pela OPEP+. Depois de posições antagônicas da Rússia e Arábia Saudita (Rússia queria ampliar a produção em 500 mil barris dia) chegou ao consenso de manter o nível atual até fevereiro e a Arábia Saudita cortando 1,0 milhão de barris até março. Isso promoveu alta do petróleo no mercado internacional para patamares que não aconteciam desde fevereiro, e a redução da produção de minério de ferro impulsionou o preço no mercado internacional. Na semana, o minério negociado em Qingdao (China) subiu 7,8%.

No segmento doméstico o protagonismo ficou por conta de Bolsonaro e suas declarações intempestivas. “Brasil está quebrado, Brasil está uma maravilha, se não tivermos voto impresso em 2022 será pior que nos EUA”, e declarações clássicas sobre o covid-19 e imunização. Atacou a mídia dizendo ser pior que lixo. Já Rodrigo Maia aproveitou para alfinetar dizendo que “o presidente é um jogador que não admite derrota e faz ameaças com dois anos de antecedência”.  Esse clima piorou um pouco quando a consultoria da Câmara identificou folga fiscal e sugeriu ampliar o teto de gastos. Mais ainda com declarações “conciliadoras do candidato Baleia Rossi sobre estender auxílio emergencial.

Na economia a nova pesquisa semanal Focus do Bacen veio com poucas e pequenas alterações, a balança comercial mostrou superávit em 2020 de US$ 51,0 bilhões e déficit em dezembro acelerado por plataformas de petróleo, o IBGE mostrou o IPP (preço do produtor) de novembro de 1,39% e no ano com +18,92% e o Banco Mundial estimou encolhimento do PIB em 2020 de 4,5% e 2021 com ,2 bilhões +3,0%.

A produção industrial de novembro cresceu 1,2%, mas no ano encolhe 5,5%. Porém, nos últimos sete meses o crescimento foi 40,7%, como esperado em forte recuperação de base muito baixa e ainda 13,0% abaixo do pico ocorrido em maio de 2011. Veículos foi o destaque positivo e a indústria extrativa o negativo. A Anbima registrou captação líquida em 2020 pelos fundos de R$ 156,4 bilhões e patrimônio da indústria em R$ 6,1 trilhões. Os fundos multimercado captaram R$ 107 bilhões e fundos de ações com +R$ 52,6 bilhões. Os fundos de renda fixa perderam R$ 20,6 bilhões. O Bacen anunciou que o fluxo cambial de 2020 foi negativo em 27,9 bilhões, e as saídas pelo canal financeiro montaram a US$ 51,2 bilhões. Os bancos encerraram o ano vendidos em US$ 35,8 bilhões.

No mercado, tivemos dólar pressionado na compra durante toda a semana e exigindo intervenção do Bacen com venda de swap adicional à rolagem programada. Os juros também registraram elevações para todos os vencimentos como decorrência dessa inconstância de posicionamento do governo e principalmente pela questão fiscal grave e inação do governo e parlamento. Na Bovespa, os investidores estrangeiros encerraram 2020 com saques líquidos de R$ 31,8 bilhões, depois de quase arranhar saídas de R$ 90,0 bilhões. Houve boa recuperação de fluxo desde outubro, que prosseguiu em janeiro com ingresso em três pregões de R$ 3,84 bilhões. As ações de commodities e bancos tiveram bom desempenho durante o período, assim como outras tradicionais, o que garantiu batimento sucessivo de recordes de pontuação.

INDICADORES DA SEMANA

BOVESPA +5,09% (125076)     DOW JONES +1,60%   NASDAQ +2,42%        DÓLAR R$ 5,416 (+4,35%)

PERSPECTIVAS

Bom, como dito, batemos sucessivos recordes no final de 2020 e início de 2021 (até 125323 pontos), muito em função do fluxo carreado por investidores estrangeiros no último trimestre depois de saques elevados. Porém, temos que considerar que na medida em que o nível geral de preços aumenta, o risco de exposição cresce e amplia a chance de operações de IPOs e Follow on retirando pressão do mercado secundário. Com isso queremos dizer que vamos precisar de fluxo crescente canalizado para o mercado, para suportar, inclusive, as realizações de lucros de curto prazo.

O cenário externo continua sendo promissor com inflação muito fraca e abaixo das metas, juros baixos ou negativos e liquidez internacional ainda ampliando mais. Portanto, não é de se esperar grandes mudanças no curto e médio prazo. Adicionalmente, a imunização da população reduz o ímpeto da pandemia e pode acelerar a recuperação econômica basicamente após o primeiro trimestre de 2021 Isso deve garantir bom desempenho dos mercados de risco no exterior.

Já aqui a situação se mostra um pouco diferente, pois precisamos de muitas definições, tanto no combate da pandemia com atrasos na imunização, como o risco político, que podemos intuir indefinido. Como ficará o comando das duas casas do Congresso, e como ficará a base de apoio do presidente para acelerar reformas e ajustes que são absolutamente essenciais. Teremos extensão do auxílio emergencial? Como fica o teto de gastos e vetos do presidente ao orçamento e outras questões? Como fica a grave questão fiscal e endividamento? Tudo isso e muito mais só saberemos a partir de fevereiro.

De qualquer forma, no curto prazo, exceto por declarações intempestivas de Bolsonaro, não devemos ter maiores sustos e os mercados ficam na dependência do fluxo de recursos, que parece ser possível continuar. Só para dar uma ideia, numa primeira aproximação, acreditamos ser possível em algum momento deste ano o Ibovespa atingir 135000 pontos.

Bom final de semana

Alvaro Bandeira

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