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Resumo da Semana – 12/2/2021

Data de criação:

access_time 12/02/2021 - 19:24

Data de atualização:

access_time 12/02/2021 - 22:24
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A semana pré-carnaval, que não acontecerá por conta da pandemia, foi pródiga na divulgação de dados de conjuntura especialmente no segmento doméstico. Mas, o pano de fundo das preocupações dos investidores continua sendo a expansão do covid-19 e suas variantes no mundo, em confronto com a vacinação que vem ganhando corpo, apesar da escassez de vacinas.

Aqui, muita movimentação a partir da eleição dos novos presidentes da Câmara e Senado, a aprovação da autonomia do Banco Central pela Câmara e outras vertentes exploradas pelos políticos. Mas os ruídos sobre extensão do auxílio emergencial foram intensos durante o período, e afetaram bastante o desempenho dos mercados de risco, especialmente Bovespa e o câmbio, que obrigou interferência do Bacen com operações de swap
.
No segmento externo, em que pese algumas decisões pontuais de restrições de convívio pelo covid-19 e lockdown em Melbourne, por exemplo, as indicações são de que na medida em que a imunização aumenta nos países, começa a ser sentida a redução de contágio e também de internações. Os EUA têm relatado esse fato, apesar dos problemas para acelerar a vacinação como deseja Biden de 100 milhões em 100 dias

Todos os dirigentes e formadores de opinião têm sido unânimes em afirmar que a recuperação econômica será mais forte, na medida em que o espectro de imunização se amplie. Função disso, relatam também muitas incertezas sobre o futuro, especialmente com relação ao primeiro trimestre desse ano, melhorando a partir do segundo semestre. Essa também é a expectativa geral. Porém, países e regiões seguem ampliando esforços monetários e fiscais para acelerar a recuperação.

Nos EUA e também na União Europeia isso é um fato. Biden segue buscando acordo bipartidário para o pacote fiscal, que chega a US$ 1,9 trilhão, mas que deve ser modificado com ou sem aumento do salário mínimo para US$ 15 por hora trabalhada. Já a União Europeia planeja mobilizar recursos do fundo de recuperação em montante de 750 bilhões de euros ainda na metade do ano. Já o presidente do FED Jerome Powell foi absolutamente explícito nessa semana ao declarar que o tamanho do balanço do FED será aquele que apoiará a recuperação econômica, deixando claro que usará todas as ferramentas disponíveis. Afinal, nesse momento tem situação bastante confortável em termos de inflação.

Já o presidente Biden disse que com o pacote de estímulos a economia crescerá mais forte e pode chegar ao pleno emprego em cerca de dois anos. Biden, nessa semana, anunciou que conversou por mais de duas horas com o presidente da China Xi Jinping, e cobrou maiores informações sobre o covid-19 e está revendo, sem pressa, as tarifas impostas no comércio. Acrescentou que vai encerrar estado de emergência na fronteira com o México e cancelou verbas par construção do muro na fronteira. O Japão, sempre às voltas com recessão e deflação, sugeriu que pode tornar os juros ainda mais negativos e rever programa de compras de ativos. Na Itália, começa a vingar um novo governo liderado pelo ex-presidente do BC (BC europeu) Mario Draghi, depois de o Movimento 5 Estrelas (maior partido atual) acatar participar.

No que tange aos indicadores de conjuntura, a Alemanha mostrou a produção industrial estável em dezembro (previsão era +0,6%) e mostrou superávit comercial de 16,1 bilhões de euros. Lá, a inflação de janeiro foi de 0,8% e taxa anual de 1,0%. Já a União Europeia prevê PIB da zona do euro de -0,9% no primeiro trimestre de 2021 e desaceleração no ano para +3,8%, de anterior em +4,2%. A inflação prevista para o ano está em 1,4%, pouco maior que a projeção anterior de 1,1%, mas ainda bem distante da meta do BCE.

Nos EUA, o déficit orçamentário em 12 meses atingiu a fantástica marca de US$ 3,47 trilhões, algo como 16,2% do PIB e nos primeiros quatro meses do novo ano fiscal (setembro) já cravou US$ 736 bilhões, com expansão de 89%. A inflação medida pelo CPI (consumidor) de janeiro foi de 0,3%, com núcleo estável e taxa anual de 1,4%, também para o núcleo e distante da meta e sua flexibilidade de andar acima. Os estoques no atacado é que cresceram 0,3% em dezembro. Já os pedidos de auxílio desemprego encolheram 19.000 posições para 79.3000, quando a previsão era de 760.000 pedidos. O Banco Central do México cortou os juros básicos para 4,00% e o banco central da Rússia manteve a taxa estabilizada em 4,25%.

No cenário local, a área política fervilhou ao longo da semana com a Câmara aprovando a autonomia do Bacen, indo agora para sanção de Bolsonaro que acenou com a possibilidade de veto em alguns itens. Destacamos que a medida é positiva, mas algumas questões parecem complicar, como por exemplo a atividade acessória de cuidar do emprego e a perda de status de ministro do presidente, o que pode ensejar maiores questionamentos e processos judiciais. Essa atividade num país emergente e com 14,1% de desocupados certamente traz transtornos.

Mas o ponto focal político foi mesmo a extensão do auxílio emergencial que pode vigorar por mais quatro meses a partir de março, com R$ 250, e a ausência de folga para fazer isso. A saída de Paulo Guedes seria pela nova PEC de guerra aprovada no Congresso para não furar teto. Aparentemente, a criação temporária de imposto está descartada.
Já Bolsonaro, no último dia da semana voltou a falar com aquele seu tom de desabafo, criticando governadores e prefeitos que fecharam as atividades de seus Estados e Municípios, a inflação e dólar mais altos que o previsto, e dizendo que povo armado impede a ditadura. Disse ainda do lobby bilionário do petróleo e criticou o Facebook por ter bloqueado sua conta. Com isso, Bolsonaro meio que interrompeu convívio suave com o Legislativo, e empurrou culpa dos combustíveis para os Estados com ICMS alto e dizendo para pedirem auxílio para os governadores.

Também tivemos a divulgação de muitos dados de conjuntura. O saldo da balança comercial até a primeira semana de fevereiro estava negativo em US$ 1,15 bilhão acumulando déficit também no ano de US$ 2,28 bilhões. Já o fluxo cambial até 05/02 estava positivo em US$ 1,0 bilhão, mas fruto exclusivo do canal financeiro com US$ 1,47 bilhão. No ano também está positivo em US$ 3,8 bilhões, também por conta exclusiva do canal financeiro.

A inflação oficial, medida pelo IPCA de janeiro, desacelerou para 0,25% (de anterior em 1,35%), mas em 12 meses chega a 4,56%. As vendas no varejo de dezembro decepcionaram, com queda de 6,1% e o varejo ampliado (inclui construção e automotiva) com -1,5%. Black Friday, queda do auxílio e inflação justificam o comportamento que junto com a produção industrial traçaram quadro de desaceleração.

A situação só melhorou um pouco com a divulgação do IBC-Br de dezembro, uma prévia do PIB, mostrando alta em dezembro de 0,64% e queda no ano de 4,05%, lembrando que as previsões de queda do PIB giram ao redor de 4,4%. De qualquer forma, dezembro foi o melhor mês desde fevereiro.

No mercado acionário e no câmbio muita volatilidade e mudanças de sinais intraday com as ações líderes sofrendo pressão vendedora e também efeitos pontuais com a divulgação de resultados do quarto trimestre. Já os investidores estrangeiros, até a sessão de 10/02, tinham alocado recursos de forma líquida no montante de R$ 1,14 bilhão, deixando o saldo positivo do ano em R$ 24,70 bilhões.

INDICADORES DO PERÍODO

BOVESPA -0,67% (119.428)
DOW JONES +0,99%
NASDAQ +1,72%
DÓLAR R$ 5,374 (-0,18%)

PERSPECTIVAS

A semana se mostra complicada e atípica para projeção dos mercados, O feriado prolongado de uma semana na China traz conotações difíceis para as commodities, especialmente minério e proteínas. Já por aqui, teremos feriado e o mercado só volta a funcionar em meio turno na próxima quarta-feira, com alguns mercados abertos no exterior.

Lembramos que em muitos Carnavais aconteceram situações inusitadas, como quebras de bancos e a própria pandemia recrudescendo no Carnaval passado. Esperamos que nada ocorra nesse Carnaval.

O pano de fundo certamente continua sendo a pandemia e o processo vacinal complicado em muitos países, incluindo o Brasil com falta de vacinas. Mas, nesse aspecto, alguns países como os EUA já começam a coletar números melhores de contágio, internações e óbitos. Portanto, esperamos que isso permaneça. Mas as incertezas sobre a recuperação econômica ainda grassam.

Aqui temos que ver, além disso tudo, o comportamento do quadro político e como irá desenrolar o auxílio emergencial, já que a equipe econômica prometeu trabalhar durante o período e encontrar mecanismos para conceder o auxílio. De qualquer forma, continuamos com os mesmos parâmetros do período anterior quando fixamos o vazamento para baixo de 118.000 pontos como ruim e a ultrapassagem de 120.500 pontos como positiva para que o mercado ganhe maior consistência.

Bom final de semana

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

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