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Resumo da semana de 29/1/2021

Data de criação:

access_time 29/01/2021 - 20:36

Data de atualização:

access_time 29/01/2021 - 23:36
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O resumo da semana coincide com o encerramento do mês de janeiro que sempre traz alguma volatilidade sobretudo no câmbio, mas também em outros mercados de risco. Foi um período intenso de notícias e dados de conjuntura sendo anunciados, safra de resultados referentes ao quarto trimestre de empresas, processo vacinal da covid-19 ainda mais lento que o previsto, expansão da contaminação pelo vírus e suas variantes mais potentes e primeiras medidas de Joe Biden na presidência dos EUA, basicamente alterando medidas adotadas por Trump. Também tivemos movimentos especulativos amplos no mercado acionário americano, e igual tentativa na Bovespa, deixando investidores ressabiados.

Aqui, tivemos semana encurtada pelo feriado em São Paulo, situação política complicada com o presidente pressionado, divulgação de dados fechando o ano de 2020 e muita expectativa com relação à eleição para presidente da Câmara e Senado, com algumas defecções de partidos (MDB abandonando Simone Tebet) e campanha para os candidatos apoiados pelo governo, que aparentemente ganhou força na reta final.

No plano externo, o tema largamente dominante foi mesmo a expansão do covid-19 e novas cepas em diferentes países, com novas restrições de contato social, fechamento de fronteiras, suspensão de voos (Brasil teve muitos voos suspensos), lockdown estendido e governos não sabendo quando aliviarão a situação. Em contraposição ao contágio, a vacinação lenta em muitos países ampliou a percepção de que a recuperação da economia global ainda vai demorar, associada a falta de vacinas diagnosticada por muitos países.

Tudo isso foi insistentemente abordado por líderes mundiais no Fórum Virtual de Davos e preocupação de organismos multilaterais em suas exposições. Quase todos os dirigentes que passaram pelo encontro de Davos abordaram as incertezas na economia, notadamente nesse primeiro trimestre de 2021, e houve unanimidade de que é preciso fazer ainda mais em termos de política monetária e principalmente fiscal.

Outro tema recorrente foi o clima, sempre associado com a pandemia e preservação da Amazônia, a equipe de Biden dará prioridade para isso e disse que isso vai mexer com os mercados nos próximos meses.

O presidente Joe Biden quer aprovar o pacote fiscal bipartidário na próxima semana e adotou medidas para voltar atrás na decisão de saída do acordo de Paris sobre clima, de deixar a OMS, e ainda facilitou o uso do convencionado plano de saúde Obamacare. Quer acelerar vacinação de 100 milhões de pessoas em 100 dias. Xi Jinping, da China, falou sobre multilateralismo e cooperação no encontro de Davos, mas a pressão americana sobre a China prosseguiu forte durante a semana.

A semana foi também de indicadores de conjuntura. Começando pelo PIB americano do quarto trimestre com alta na primeira leitura de 4%, mas mostrando queda no ano de 3,5%. A Alemanha surpreendeu positivamente com alta de 0,1% no quarto trimestre e queda anual de 3,9%. Na França, o quarto trimestre registrou contração de 1,3% de previsão de -4,1%. Na Espanha, recuperação de 0,4% no quarto trimestre, mas, no ano, com encolhimento de 9,1%. O México veio com expansão de 3,1% no último trimestre, mas em 2020 encolheu 8,5%.

Na Alemanha, o índice GFK de confiança do consumidor de fevereiro caiu para -15,6 pontos, quando o previsto era -7,8 pontos. Na zona do euro, o índice de sentimento econômico também caiu para 91,5 pontos em janeiro, vindo de 92,2 pontos. Nos EUA, as vendas de imóveis novos cresceram 1,6% em dezembro, de previsão de +4%. O gasto com consumo nos EUA em dezembro encolheu 0,2%, mas a renda cresceu 0,6%. Já a inflação medida pelo PCE (deflator de consumo) foi de 0,4%, com núcleo em +0,3%. O índice de atividade de Chicago subiu para 63,8 pontos, as vendas pendentes de imóveis de dezembro com queda de 0,3% e a confiança do consumidor de Michigan caindo para 79,3 pontos, praticamente o que estava previsto.

Mas o que mais mexeu com os mercados foi a coletiva de Jerome Powell, após o comunicado do FED, sobre manutenção da política monetária, como estava sendo esperada. Jerome Powell se manifestou pessimista com o curto prazo (primeiro trimestre), e mais otimista com a recuperação no segundo semestre com a vacinação massiva da população. Porém, isso acabou revertendo a tendência dos mercados. Powell foi enfático em afirmar sobre a necessidade de mais estímulos.

Preocupação também com processo especulativo com ações da GameStop e AMC, com a SEC (a CVM americana) suspendendo negócios e iniciando investigação sobre manipulação. Esse processo parece ter sido tentado também por aqui com especuladores de ações do IRB, com a B3 colocando tudo para leilão na sessão de 29/1.

No cenário doméstico, a área política esteve carregada. Bolsonaro que já vinha pressionado por queda de popularidade em semanas anteriores e crescentes pedidos de impeachment, xingou a imprensa em almoço com compras de alimentos e disse que seu vice, Hamilton Mourão, era palpiteiro, quando falou sobre eventuais mudanças em ministérios depois das eleições na Câmara e Senado. O ainda presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que a intenção de Bolsonaro era fazer o Congresso a extensão do Palácio do Planalto. Maia também defende a PEC Emergencial antes da discussão e aprovação do orçamento de 2021.

Durante a semana, muitos indicadores. A inflação pelo IPCA-15 (prévia oficial) de janeiro desacelerou para 0,78% (de anterior em 1,06%), mas o IGP-M de janeiro acelerou e muito para 2,58% (de anterior em 0,96%). O déficit em conta-corrente de 2020 foi de US$ 12,5 bilhões e investimentos diretos no país (IDP) com US$ 34,2 bilhões, encolhendo fortemente no último trimestre. Já o fluxo cambial até 22/1 estava positivo em US$ 3,37 bilhões, mas fruto de entrada pelo canal financeiro de US$ 3,65 bilhões. Os investimentos em ações no Brasil em 2020 caíram US$ 4,62 bilhões e em fundos com queda de US$ 1,3 bilhões. O IDP de 2020 foi o menor desde 2009, por conta da pandemia e recessão.

O IBGE mostrou dados da PNAD contínua do trimestre encerrado em novembro, com a taxa de desemprego em 14,1% e população desocupada de 14,1 milhões de pessoa. A população ocupada foi de 85,6 milhões em contração e desalentados em 5,7 milhões. O estoque total de crédito divulgado pelo Bacen para dezembro ficou em R$ 4,01 trilhões (+15,5% na comparação anual), a inadimplência média caiu para 2,9% e o endividamento das famílias com alta para 50,3% considerando o imobiliário.

O déficit do governo central em 2020 foi de R$ 483,95 bilhões, do INSS de R$ 259,1 e a Previdência com R$ 368,2 bilhões). Os gastos com a pandemia chegaram a R$ 539,4 bilhões. Ainda assim, ficaram abaixo da última previsão em R$ 88,7 bilhões. O déficit primário de 2020 atingiu insuspeitos R$ 702,9 bilhões, algo como 9,49% do PIB e o déficit nominal foi para R$ 1,01 trilhão, representando 13,7% do PIB. A dívida bruta atingiu R$ 6,6 trilhões, com 89,3% do PIB, com algum refresco dado pela taxa de juros mais baixa.

A ata do Copom também veio mais dura que o comunicado, ressaltando as incertezas para futuro, calcando na necessidade de reformas e inflação crescente. No mercado, muita volatilidade, com o dólar passando de R$ 5,50 e a Bovespa vindo buscar a faixa de 114 mil pontos. Nos últimos dias da semana, os investidores estrangeiros voltaram a mostrar saques líquidos, mas ainda assim o saldo de ingresso líquido até 27/1 estava em R$ 233 bilhões.

Indicadores da semana

IBOVESPA: -1,96% (115.068)/MÊS: -3,31%
DOW JONES: -3,28%
NASDAQ:: -3,49%
DÓLAR: R$ 5,47 (-0,18%)

Perspectivas

A nova semana e o mês de fevereiro começam com a expectativa de eleição na Câmara e também no Senado, onde as maiores chances são dos candidatos do governo sagrarem vencedores. Bolsonaro se empenhou nisso e o governo liberou verbas parlamentares para adoçar deputados e senadores. Não há dúvidas que isso seria benéfico para aprovação de projetos do Executivo, mas, ao mesmo tempo, os discursos dos candidatos foram favoráveis à extensão do auxílio emergencial e de certa forma, contrários ao processo de privatização.

Vamos ter que avaliar também o encaminhamento de reformas e em qual profundidade. Aparentemente já se aceita um auxílio emergencial menor e por cerca de três meses, mas será preciso definir cortes de gasto para não furar o teto.

Mas o pano de fundo do mundo seguirá sendo a expansão de covid-19 diante da vacinação mais rápida de populações. A Índia diz que vai tentar suprir parte da demanda com exportações de vacinas, mas o Brasil segue bastante atrasado nisso e com algum negacionismo. Ao mesmo tempo, as principais agências de classificação de risco já deram o recado sobre o teto de gasto ser a âncora fiscal mais forte que, se perdida, pode atrapalhar a classificação do país. Provavelmente teremos também a votação do pacote americano que pode dar algum alento aos mercados.

Do ponto de vista da análise técnica, ainda estamos conseguindo manter o Ibovespa no patamar entre 114 mil e 115 mil pontos, o que seria bem positivo para não precipitar maior queda. Mas melhorar mesmo e consolidar, só quando conseguir passar a faixa de 120.500 pontos.
Boa noite e bom final de semana!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

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