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ANÁLISE: Brasil e a reunião do COPOM

Data de criação:

access_time 06/05/2020 - 20:24

Data de atualização:

access_time 06/05/2020 - 20:24
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O banco central do Brasil cortou a taxa SELIC em 0.75% para 3%, renovando o recorde de baixa da mesma. O mercado precificava uma chance não desprezível de corte desta magnitude, mas a casa esperava postura mais gradual, com corte de 0.5%.

O comunicado trouxe diversas indicações dovish, o que nos leva a ressaltar a possibilidade da SELIC terminal ser abaixo de 2.25% neste ciclo.

Naturalmente, há grande preocupação com a evolução da economia real ante os impactos gerados pelo choque do coronavirus. Em termos de expectativas de inflação, o cenário híbrido apresentado pelo BC (com juros FOCUS e câmbio a R$5.55) mostra ainda espaço para cortes adicionais, visto que a inflação terminará este ano em 2,4% e 2021 em 3,4%.

Destaca-se em contraposição ao cenário híbrido a evolução do cenário com taxa de juros constante e taxa de câmbio constante a R$5.55, onde vemos inflação a 2,3% em 2020 e 3,2% em 2021. Em ambos os cen´rios expostos, a inflação permanece abaixo da meta para os respectivos anos.

O comitê discute, como de praxe, a possibilidade da perca de dinamismo nas reformas. Vemos isto como grande risco para a economia brasileira, visto que parece haver clara interrupção na tendência estabelecida desde 2016, sem indicações de retomada.

Há justificativa por parte do comitê de que “a conjuntura econômica prescreve estímulo monetário extraordinariamente elevado”. Ao mesmo tempo em que ressalta a existência de “potenciais limitações para o grau de ajuste adicional.”. Como determinante do prolongamento do estímulo monetário, o comitê coloca a sustentabilidade da trajetória fiscal para o próximo ano, o que ressalta os riscos inerentes da nossa já debilitada posição de dívida em relação ao PIB.

Em relação à decisão futura, o COPOM destaca a incerteza em relação ao espaço remanescente de ajuste monetário, mas indica fortemente que devemos esperar outro corte de igual magnitude ao esperado, o que levaria a taxa SELIC a 2,25% (“Para a próxima reunião, condicional ao cenário fiscal e à conjuntura econômica, o Comitê considera um último ajuste, não maior do que o atual, para complementar o grau de estímulo necessário”).

O COPOM ressalta o evidente desejo de cortar novamente a taxa de juros SELIC em consequência da desaceleração. Acreditamos que há possíveis limites para atuação da política monetária na situação atual: há de se considerar a defasagem entre o impacto das decisões do BC na atividade real (algo entre três e seis trimestres) junto a relação não-linear que SELIC e Condições Financeiras podem ter este momento de elevada incerteza.

Especificamente, há de se contemplar que cortes da SELIC produzem acomodação na taxa de curto prazo, enquanto as taxas preponderantes em vértices mais longos da estrutura a termo (e, principalmente, os juros que preponderam para o tomador final de crédito) seguirão pressionando as condições financeiras da economia local. A relevância das condições financeiras se dá pelo seu papel na transmissão da política monetária para a economia real.

A desaceleração da economia justifica a maior acomodação monetária ante o cenário desafiador e, a julgar pelas expectativas de inflação, o movimento de cortes é necessário. No entanto, ressalta-se o tom dovish do comunicado e o comprometimento, já 45 dias antes da próxima reunião, a um novo corte.

*Por Felipe Sichel, estrategista-chefe do modalmais

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