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ANÁLISE: IPCA do Brasil e CPI dos EUA

Data de criação:

access_time 10/06/2020 - 12:58

Data de atualização:

access_time 10/06/2020 - 12:58
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O IPCA do mês de maio teve leitura de -0.38% na variação mensal, acima das expectativas de mercado (-0.46%). Na evolução em doze meses, o índice mostra leitura de 1.88% (ante expectativas de 1.79%), com queda significativa da leitura anterior em 2.4%

Os preços administrados caíram -1.02%, marcando o quarto mês consecutivo de variação mensal negativa. Já os preços livres reverteram parte da aceleração do mês passado e caiu -0.1%.

O índice de serviços, mostrou evolução de -0.45% no mês, enquanto serviços subjacentes mostrou evolução de -0.08%.

Finalmente, a média dos núcleos ficou em -0.12% no mês, patamar abaixo dos -0.01% no mês passado, enquanto a difusão registrou 42.97%, menor leitura desde jul/2017.

Para a frente mantemos nosso cenário benigno de inflação. Como colocado no começo da pandemia, a hipótese central é que o choque de demanda se sobreponha ao choque de oferta, o que gera pressão baixista para a inflação. a reversão dos preços de gasolina anunciados ao longo do mês serão relevantes para o mês de junho.

Neste sentido, aumento de hiato do produto e aumento de desemprego seguirão impactando a dinâmica de preços.

Sobre o CPI dos EUA em maio

My take:

O índice de preços ao consumidor nos EUA teve leitura abaixo do esperado pelo mercado tanto no headline como nos subjacentes:

O dado confirma novamente o cenário de desinflação em consequência do choque do COVID19. O aumento do hiato decorrente do choque coloca evidentemente pressão baixista para preços.

Dentre os principais riscos ensejados por esta evolução está a perspectiva de contínua deterioração das expectativas de inflação ao longo do tempo, o que dificultará o FED em sua trajetória rumo à meta de 2%.

Comentários:

O índice de preços ao consumidor nos EUA teve leitura abaixo do esperado pelo mercado tanto no headline como nos subjacentes:

CPI maio (MoM): -0.1% (esperado: 0.0%; anterior: -0.8%)
CPI Core maio (MoM): -0.1% (esperado: 0.0%; anterior: -0.4%)
CPI maio (YoY): 0.1% (esperado: 0.3%; anterior: 0.3%)
CPI Core maio (YoY): 1.2% (esperado: 1.3%; anterior: 1.4%)

Importantemente, a leitura subjacente excluindo também a parte de moradia mostrou variação negativa de -0.3% no mês. Esta é a quarta leitura seguida com variação negativa.

Por dentro dos índices core, note-se a queda tanto de bens (-0.2%) como de serviços (-0.02%), levando a variação em doze meses destes índices para -1.02% e 1.98%, respectivamente.

Destaque especial deve ser dado a vestuário, que registrou nova forte queda de -2.29% no mês, levando a sua variação anual para -7.9%.

Nos serviços, destaca-se como contribuição positiva o componente serviços médicos, que avançou 0.57%, puxando a MM3M para 0.53% de 0.43% anteriormente. Com isso, a leitura anual avança novamente para 5.86%, maior patamar se considerarmos uma janela ao menos desde a crise de 2008/09. Pela natureza do choque presente, este componente deverá manter ímpeto de expansão ao longo dos próximos meses.

A surpresa negativa ficou em transportes, com nova forte retração de -3.61% no mês. Esta é a terceira leitura mensal consecutiva em território negativo.

Em contrapartida, moradia avançou 0.2% no mês após dois meses consecutivos de leituras em zero. A variação anual avança ainda 2.57%, patamar inferior do que o registrado no começo do ano (3.32%).

Como colocamos em nosso research anterior, esperamos contribuição negativa para este sub-índice a partir do primeiro trimestre do ano que vem, na medida em que o impacto defasado da aceleração do desemprego se faça sentir nos dados.

O dado novamente confirma o cenário de desinflação em consequência do choque do COVID19. O aumento do hiato decorrente do choque coloca evidentemente pressão baixista para preços.

Para compreender o tamanho do choque, resulta interessante observar a evolução do CPI Core QoQ anualizado (que captura os movimentos na ponta), que registra leitura de -2.418%

Dentre os principais riscos ensejados por esta evolução está a perspectiva de contínua deterioração das expectativas de inflação ao longo do tempo, o que dificultará o FED em sua trajetória rumo à meta de 2%.

Como argumentado em nosso call do começo da semana, acreditamos que as projeções de hoje do FED mostrem inflação abaixo da meta até 2022. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho permanecerá acima de sua taxa de equilíbrio pelo menos até o primeiro semestre de 2022, o que justificar postura de política monetária acomodativa do FED por longo período.

*Felipe Sichel é estrategista-chefe do modalmais.

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