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ANÁLISE: Payroll dos EUA de junho

Data de criação:

access_time 02/07/2020 - 11:06

Data de atualização:

access_time 02/07/2020 - 11:06
format_align_left 3 minutos de leitura

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Os dados de mercado de trabalho de junho mostraram variação melhor do que o esperado nos EUA, com revisões também nos números anteriores.

Payroll: 4800k (esperado: 3230k; anterior: 2509k revisto para 2699k)
Private Payroll: 4767k (esperado: 3000k; anterior: 3094k revisto para 3232k)
Manufacturing Payroll: 356k (esperado: 425k; anterior: 225k revisto para 250k)
Desemprego: 11.1% (esperado: 12.5%; anterior: 13.3%)
Average Hourly Earnings (%MoM): -1.2% (esperado: -0.8%; anterior: -1%)
Average Weekly Hours: 34.5 (esperado: 34.5; anterior: 34.7)
Underemployment: 18% (anterior: 21.2%)

Vale destacar também a revisão das vagas destruídas em abril, que saiu de -20.7 milhões para -20.8 milhões (i.e. piora de 100k na leitura). Somando-se a revisão anterior, temos 90k vagas a mais entre abril e maio.

Por dentro do índice, destaque para a criação de vagas no setor de serviços, que adicionaram 4263k vagas. Por dentro deles, leisure & hospitality, o setor mais afetado pela crise, criou 2088k de vagas. Ou seja, representou quase metade das vagas criadas.

O comunicado faz referência a problemas de classificação como nos meses anteriores, ressaltando que caso estes problemas fossem ajustados, teríamos uma taxa de desemprego 1% maior do que a registrada neste relatório.

A taxa de participação subiu para 61.5%, melhor patamar em três meses.
Em termos de salários, vemos avanço de 5% no ano, enquanto a taxa mensal caiu -1.178%. Tanto bens quanto serviços foram detratores em termos de composição dos average hourly earnings, destacando-se, no entanto, o avanço de 0.445% no AHE de construção. Financial activities também apresentaram variação positiva de 1.249%

Como ressaltamos anteriormente, parte das surpresas vis-à-vis as expectativas estão relacionadas a grande dispersão nas expectativas, que seguem em patamares extremamente elevados.

O dado reforça a tese de recuperação mais acelerada da economia americana ao longo do final do segundo trimestre. Este fenômeno está intimamente relacionado a reabertura da economia. Assim, os episódios de surtos do COVID19 em diversos estados americanos ao longo das últimas semanas, com consequente aumento das restrições de certas atividades, podem provocar um movimento de stop and go no mercado de trabalho. Visto a grande volatilidade em serviços relacionados a entretenimento no geral, fica evidente o risco que a pandemia representa.

Para o FED, o dado reforça a surpresa positiva, mas não sinaliza nenhum tipo de alteração imediata na postura de política monetária. Os salários medidos pelo AHE estão distorcidos visto que grande parte das demissões foi em empregos de baixa remuneração (empurrando o indicador artificialmente para cima). A visão do FED, explicitada ontem novamente nas minutas, é de severos riscos ao mercado de trabalho e uma recuperação que, no melhor dos casos, está sujeita a percalços.

Com a taxa de desemprego no patamar atual e o saldo líquido ao longo dos últimos meses ainda apontando claramente para destruição de vagas (bem como expectativa de que a recuperação no mercado de trabalho não permaneça no ritmo acelerado que vimos nestes últimos dois meses), mantém-se a tese de política monetária extremamente acomodativa por prolongado período de tempo.

* Felipe Sichel é estrategista-chefe do modalmais

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