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ANÁLISE: Payroll dos EUA e IPCA do Brasil

Data de criação:

access_time 08/05/2020 - 15:06

Data de atualização:

access_time 08/05/2020 - 15:06
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Número de Payroll de abril mostra destruição de -20.5 milhões de vagas de trabalho nos EUA, ante expectativa de mercado -22 milhões no mês passado. A leitura anterior foi revista de -701k para -870k.

A taxa de desemprego saltou de 4.4% para 14.7%. Ainda assim, deve-se destacar que o US bureau of labor statistics (órgão responsável pela coleta dos dados) afirmou que houve quantidade considerável de trabalhadores classificados como empregados, mas ausentes. Considerando-se estes também, a taxa de desemprego estaria 5% acima do patamar atual segundo o departamento.

O statement deixa claro que houve outros problemas com a coleta de dados para o payroll. Especificamente, destaca-se que a porcentagem de respostas para o household survey foi 13% abaixo do observado normalmente. Já a coleta de dados do establishment survey apresentou porcentagem de respostas praticamente inalterada se comparado a outros meses.

Todos os grupos divulgados apresentaram forte destruição de vagas de trabalho, sendo que somente o setor publico federal mostrou criação de 1k vagas. Naturalmente, leisure and hospitality (possivelmente a indústria mais afetada) mostrou destruição de -7.65 milhões de vagas de trabalho, mais do que suprindo as distorções de calendário vistas na leitura anterior (onde a destruição havia sido registrada em -499k).

Tanto as horas trabalhadas como os salários médios semanais sofreram forte distorção, haja visto a desproporcionalidade do impacto do choque sobre empregos de salários baixos, o que acaba por tirar poder de informação dos dados divulgados.

Em suma, tem-se a confirmação de forte enfraquecimento do mercado de trabalho americano já refletido nas divulgações semanais de initial jobless claims. A expectativa para frente é que haja uma estabilização somente a partir do momento em que os diversos estados começarem a permitir relaxamento dos protocolos de distanciamento social.

Nossa projeção vê a taxa de desemprego convergindo para 7% até o final do ano que vem, o que deve garantir baixíssima pressão inflacionária ao longo deste período e permitir que o FED mantenha a política monetária excepcionalmente acomodativa por longo período.

Brasil: IPCA (abril)

O IPCA de abril veio abaixo da expectativa do mercado, registrando variação de -0.31% no mês (esperado: -0.24%). Esta é a menor variação para o mês desde a implementação do Plano Real. No comparado em doze meses, o índice avançou 2.4%, ficando também abaixo do esperado (2.46%).

Destaca-se a desaceleração abrupta de preços administrados, que caíram -2.06% no mês, enquanto os livres avançaram 0.3%, registrando uma média móvel trimestral de 0.3% (ante 0.24% anteriormente).

Destaque por dentro de livres são os não duráveis, que avançaram 1.05%, enquanto semiduráveis avançaram 0.01%, duráveis caíram -0.87% e serviços avançaram 1.25%.

Pelo critério BC, alimentação (no domicílio) avançou 2.24% no mês, enquanto serviços (que inclui alimentação fora do domicílio) avançou 0.25%. Finalmente, serviços subjacentes avançaram 0.17% no mês. Em termos de núcleos, a média ficou em -0.01%, ante 0.11% em março.

O cenário inflacionário segue absolutamente benigno. A tese de choque de demanda se confirma e reforça um cenário de necessidade de juros mais baixos. As expectativas de inflação para este ano e para o seguinte sustentam justamente este caso.

Ante o hiato em expansão e o avanço do desemprego, o principal vetor de incerteza para guiar a política monetária permanece sobre a possível não linearidade do repasse cambial e a trajetória fiscal.

*Felipe Sichel, estrategista-chefe do modalmais

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