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Brasil pode não ter capacidade para abastecer o mercado de energia

Data de criação:

access_time 20/05/2021 - 11:38

Data de atualização:

access_time 20/05/2021 - 11:38
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O Brasil está em contagem regressiva para um apagão. O alerta é do professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Adílson de Oliveira, especialista em energia. Com os reservatórios de água do país com volume bem abaixo do desejado depois do período de chuvas, que terminou em abril, o engenheiro químico acredita que a crise será inevitável em outubro ou novembro se o governo federal não tomar medidas drásticas e eficazes agora.

“Daqui a cinco ou seis meses, não teremos capacidade para abastecer o mercado. Só não estamos em racionamento agora por causa da pandemia de coronavírus, que deu uma estagnada na economia” avalia.

Os reservatórios das hidrelétricas que integram o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsáveis por 70% da geração de energia do país, estão com o nível de armazenamento de água em 33%. O próprio Operador Nacional do Sistema Elétrico -ONS previu que, até o final de maio, eles deveriam estar em 39% para minimizar os riscos. Como não há previsão de chuvas, a tendência é que o volume caia cada vez mais, agravando a probabilidade de acontecer um apagão semelhante ao de 2011, quando houve racionamento.

Na usina de Marimbondo, na divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, o nível do volume útil baixou para apenas 7,98%. A situação também está crítica na usina de Água Vermelha; o nível do reservatório bateu 5,84% nesta quarta-feira.

Para o especialista, que participa na próxima semana de um painel sobre transição energética na conferência internacional Amanhãs Desejáveis, na UFRJ, para não haver racionamento é preciso agir rapidamente. Ele lembra que, na crise do setor ocorrida em 2001, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, chamou os grandes consumidores e ofereceu compensações para aqueles que conseguissem reduzir o gasto de energia. Segundo ele, é preciso fazer o mesmo neste momento.

Para fazer frente ao problema, o governo Bolsonaro, que nega a ameaça de apagão, tem recorrido ao acionamento cada vez maior de usinas termelétricas, que geram energia a partir da queima de combustíveis como óleo ou gás natural. É uma opção bem mais cara, e que impacta na conta do consumidor. A Aneel acionou a “bandeira vermelha” patamar 1 para maio. Isso significa que será cobrada uma taxa adicional mais alta, de R﹩ 4,169 para cada 100 kWh, ao longo deste mês. A bandeira fica na cor verde quando o nível dos reservatórios de água está alto e não há necessidade de acionamento extra de usinas térmicas.

Além disso, a União pretende importar maior quantidade de energia do Uruguai e Argentina, uma solução que, segundo Oliveira não se sustentará a longo prazo.

“Os dois países têm inverno rigoroso e precisam do gás para aquecimento. Vão querer aquecer a população ou fornecer gás para o Brasil?”, conclui o professor.

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