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CNC indica tendência de crescimento de preços no comércio

Data de criação:

access_time 26/05/2021 - 11:43

Data de atualização:

access_time 26/05/2021 - 11:43
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No estudo especial sobre o comportamento dos índices de inflação durante a pandemia do novo coronavírus, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou que a tendência para 2021 é a de que, pelo menos em um primeiro momento, os valores praticados pelo varejo aumentem e o consumo caia, especialmente entre as famílias de baixa renda. A análise mostra que, no ano passado, os indicadores de preços dos setores da produção industrial subiram significativamente, descolando-se dos índices de preços ao consumidor final, após uma década caminhando juntos. O levantamento foi apresentado nesta quarta-feira (26/05).

Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, a desorganização dos preços formados nos mercados produtores, com falta de insumos, importados mais caros, dólar alto, elevação das commodities e aumento dos custos das empresas, pode ser percebida com maior proporção nos indicadores do atacado do que nos preços ao consumidor. “Se as empresas do varejo não conseguem suportar o aumento de preços da esfera da produção e do atacado, acabam sacrificando a margem de lucro e, quando é possível, fazem repasses que elevam os preços finais, impactando as decisões de compra dos consumidores”, afirma Tadros.

A CNC analisou a evolução dos preços na última década e concluiu que eles praticamente caminharam juntos entre 2011 e 2019. Em 2020, contudo, a crise da covid-19 provocou um choque nesta relação de equilíbrio, acarretando variações atípicas dos preços. A partir do ano passado, os agentes que possuíam contratos atualizados pelo Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) tiveram reajuste muito superior ao aumento dos contratos reajustados pelos índices de preço ao consumidor (INPC e IPCA). Fenômeno que tem persistido.

De acordo com Antonio Everton, economista da CNC responsável pelo trabalho, o movimento também tem relação com as diferenças metodológicas dos índices: “O IGP-M carrega peso acentuado da variação dos produtos no atacado. O Índice de Preço ao Produtor Amplo-Mercado (IPA-M) participa com 60% na formação do IGP-M, representando a mudança nos preços dos agropecuários e industriais nas fases de comercialização em grande escala, anteriores ao consumo final”. Segundo ele, uma das características do IPA-M é “refletir custos de produção, matérias-primas, insumos e tarifas, bem como apresentar-se sensível à variação do dólar, por causa do comércio exterior e das expectativas dos agentes na formação dos preços”.

O IPCA e o INPC avaliam o desempenho dos preços na etapa posterior à do atacado, na ponta do consumo. O primeiro mensura a inflação oficial que baliza a meta do Banco Central (BC), apurando o custo de vida médio das famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. O segundo estima a cesta de produtos e serviços das famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos.

2020 x 2021

A alta acentuada do IGP-M e do IPA-M aconteceu a partir de junho do ano passado, quando os preços industriais e nas esferas da comercialização em larga escala puxaram os demais índices para cima. A situação de tendência de alta no atacado se manteve até o fim de 2020 e continuou neste ano. Quanto aos preços ao consumidor, o recrudescimento ocorreu a partir de setembro último, permanecendo até dezembro.

O comportamento dos indicadores não sofreu grandes alterações no primeiro trimestre deste ano, em relação ao fim do ano passado. No acumulado de janeiro a março, os indicadores do atacado apresentaram elevação, aumentando, por extensão, pressões sobre os preços no varejo. Neste período, destaca-se a forte taxa do IPA-M (10,57%), indicando a continuação do processo inflacionário. Antonio Everton chama a atenção para o fato de que, em 12 meses, até março último, a inflação para as famílias ultrapassou a meta do BC, de 5,75%.

As diferenças entre os indicadores potencializam as dificuldades de negociação pelas quais as empresas do varejo, em particular micro e pequenas, podem passar com fornecedores e distribuidores.

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