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Mais alguns sinais que ensejam cautela

Data de criação:

access_time 26/02/2021 - 13:11

Data de atualização:

access_time 26/02/2021 - 16:11
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A semana pós-carnaval começou de forma atribulada e os sinais que vimos ao longo dela foram extremamente confusos. Teoricamente, o aumento das “caudas” (i.e., dos riscos associados a trajetória da política econômica local) enseja preços de equilíbrio piores para ativos brasileiros. Para complicar nossa situação, a economia global sofre com déjà-vu do taper tantrum de 2013, com rápida abertura das taxas de juros longas nos EUA.

Falemos rapidamente sobre a situação global antes de nos debruçar sobre as evoluções locais. O cenário prescreve política monetária fortemente estimulativa nos EUA, como reforçado pelos membros do FED ao longo da semana. Ao mesmo tempo, o congresso caminha para aprovar um volumoso pacote de estímulo fiscal.

A combinação destes fatores provoca elevação dos prêmios exigidos pelo mercado nos vértices mais longos da curva de juros, visto que os riscos associados a um superaquecimento da economia americana aumentaram. Na prática, estamos falando de uma situação que contribuiu para contração das condições financeiras, o que leva a realização nos mercados. Um pouco disto foi visto com a evolução negativa das bolsas americanas ao longo da semana e também com o movimento de fortalecimento do dólar, tanto contra moedas de países emergentes, como desenvolvidos.

No Brasil, o destaque ficou absolutamente por conta da política novamente. A semana começou com a forte volatilidade nas ações das estatais, especialmente a Petrobras, decorrente da decisão do Presidente Bolsonaro de substituir o comando da companhia. A sinalização é inequivocamente negativa para a trajetória brasileira. Aqui não estamos falando do caso específico da Petrobras, mas sim da perda de previsibilidade sobre ações futuras do governo (i.e., existe a possibilidade de novas substituições? Se sim, quais e por que?). Nota-se evidentemente que isto significa preços de ações mais baixos.

Em um tom positivo, foram encaminhados projetos para privatização da Eletrobrás e dos Correios, além de sancionada a autonomia do Banco Central. Reforçamos de forma inequívoca que celeridade nestas privatizações e a recondução de Roberto Campos Neto à presidência do Banco Central são sinalizações de baixo custo e grandes ganhos para o governo neste momento, principalmente se consideramos a perda provocada pelo episódio Petrobras descrito acima.

Em termos gerais, todas as evidências apontam para a necessidade de elevação da taxa SELIC. O movimento de abertura das taxas de juros globais gera, mecanicamente, pressões para valorização do dólar. Ante o cenário de inflação já delicado, isto é, mais um risco para o cenário base do Banco Central. Pode-se afirmar sem sombra de dúvidas que o ambiente está menos propenso para países emergentes, do que há três meses. Ademais, os riscos associados à política fiscal são mais um fator que pesa sobre a situação dos ativos no Brasil.

Isto sem entrar na questão da pandemia, que segue preocupando e mostra deterioração ao longo dos últimos dias. Pelas nossas projeções, a vacinação precisa avançar para média móvel de 500k em março.

Assim, resta-nos projetar uma elevação de 50bps na SELIC em março (para 2.5), com riscos altistas. As consequências neste momento dependem mais da linguagem adotada pelo Banco Central e da conjuntura global, do que efetivamente dos juros maiores. Esperamos de qualquer forma um arrefecimento dos movimentos da semana, o que deveria permitir gradual valorização do real (ainda que não intensa) e perda de inclinação da curva.

Por Felipe Sichel, estrategista modalmais.

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