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(Correção)Preços das commodities estão entre os pontos favoráveis ao Brasil

Data de criação:

access_time 15/04/2021 - 09:15

Data de atualização:

access_time 15/04/2021 - 12:34
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A Secretaria de Comércio Exterior fez uma revisão metodológica na forma de contabilizar as estatísticas da balança comercial, o que altera as séries dos índices de preços e volume das exportações e importações da base de dados do ICOMEX. A revisão completa nos índices da série de 1997 a 2021 será analisada no próximo ICOMEX, em maio. No atual ICOMEX, a FGV/Ibre apresentou alguns resultados referentes aos meses de 2020 e de janeiro a março de 2021 na publicação desta quinta-feira (15/04).

Até fevereiro, o saldo acumulado da balança comercial era de US$ 166 milhões pela antiga metodologia. Pela nova metodologia e com o término da internalização via importações do Regime REPETRO, o saldo foi de US$ 1,4 bilhões. Em março, o saldo foi de US$ 6,5 bilhões e o acumulado no primeiro trimestre de 2021 foi de US$ 7,9 bilhões.

Na variação no volume pela nova e a antiga metodologia. No caso das exportações, o recuo de 3,5% pela antiga metodologia passa para um aumento de 2,3% pela nova, na comparação dos primeiros trimestres de 2020 e 2021. Nas importações, o aumento do volume foi de 14,5% pela nova metodologia. A maior discrepância está no resultado de março das exportações. Na balança de março, 47% das exportações são explicadas pelas vendas de soja (22% do total exortado), minério de ferro (14,7%) e petróleo (10,1%).

Os índices de preços apresentam resultados similares pela nova e antiga metodologia. Na comparação interanual do primeiro trimestre de 2020 e 2021, a variação nos índices de preços da exportação foi de 12,7% (nova) e 11,5% (antiga) e recuo de 3,1% nos índices de preços das importações.

O volume exportado das commodities aumentou em março em comparação com igual mês do ano anterior, após ter recuado nas comparações interanuais de janeiro e fevereiro de 2020 e 2021. Os embarques de soja iniciados em março contribuíram para esse resultado. As não commodities também registraram bom desempenho em termos de volume (10,2%). Na comparação dos trimestres, entretanto, o destaque é o aumento nos preços das commodities em 18,8%.

No mês de março, as exportações da agropecuária lideraram a variação na comparação mensal (21,3%), seguida da extrativa (16,1%) e da transformação (5,9%). No trimestre, entretanto, a liderança fica com a indústria extrativa (7,4%).

Nas importações, a liderança foi da indústria de transformação (24,6%), no mês de março. Por categoria de uso, as compras de bens duráveis de consumo foram as que registraram maior aumento, 42%.

As compras de máquinas e equipamentos aumentaram no mês de março em comparação a igual período de 2020 para a indústria e para a agropecuária. No caso dessa última, a variação de 97,5%, mesmo na presença da desvalorização cambial que encarece o preço das importações, sinaliza expectativas favoráveis para o crescimento do setor. Nas compras de bens intermediários, a indústria registrou variação de 27,7% na comparação interanual do mês de março, mas na trimestral, as compras de agropecuária se destacam.

A China explicou 35% das exportações brasileiras e registrou aumento de 55%, em valor, na comparação dos meses de março de 2020/2021. Em segundo lugar, os Estados com participação de 9,8% e aumento, nessa mesma base comparação de 24% e, em terceiro lugar, a Argentina, com participação de 4,5% e variação de 42%. A variação no volume exportado mostra a liderança da Argentina no mês de março, aumento de 31,4%.

Exportações do setor automotivo, produtos siderúrgicos e até soja estão na pauta de exportações brasileiras para a Argentina no mês de março. A desvalorização do real influencia esse resultado, pois a economia argentina ainda não apresenta sinais favoráveis de uma forte recuperação econômica.

Em suma, o comércio exterior continua com um cenário positivo. O aumento nos preços das commodities, a desvalorização cambial e o crescimento da China e dos Estados Unidos são favoráveis ao Brasil.

Entenda a Nova Metodologia

A primeiro se refere ao REPETRO (Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural), que foi alterado em 2017 e passou a ser denominado REPETRO-Sped. Pelo novo regime, foi instituído que todas as operações registradas como exportações para fins contábeis no regime REPETRO deveriam ser internalizadas até 31/12/2020 e, logo, passaram a integrar os fluxos de importações.

Segundo a Nota Técnica SITEC nº01, por conta dessas mudanças, “no período de 2018 a 2020, houve um desproporcional acúmulo de volumes importados relacionados a bens destinados às atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e de gás natural” sendo que a maior parte era de bens nacionais.

Em termos percentuais, o maior valor das exportações sob o Regime REPETRO foi em 2013, 3,9% do total exportado pelo país e, depois declinam, em especial com a mudança do regime. No caso das importações, essas estão concentradas entre 2018 e 2020, e chegam a 7,9% do total importado, em 2020. Essas distorções é que nos levaram, no caso do ICOMEX, a publicar os índices de volume considerando a inclusão ou não das plataformas de petróleo.

O terceiro ponto é a inclusão das importações de energia elétrica de Itaipu na balança comercial, o que já era norma adotada pelo IBGE e pelo Banco Central. Em adição, correções de caráter estatístico e cálculos referentes a fretes e seguros foram revisados.

Com essas mudanças os valores nas séries de exportações diminuíram e os das importações aumentaram.

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