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Relatório de Inflação mostra projeção do PIB para queda de 6,4%

Data de criação:

access_time 25/06/2020 - 16:41

Data de atualização:

access_time 25/06/2020 - 16:41
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No Relatório de Inflação divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central do Brasil, a projeção para o Produto Interno Bruto -PIB em 2020 foi revisada significativamente, passando de estabilidade (em relação ao PIB de 2019), apresentada no anterior, para recuo de 6,4%. A alteração da projeção está associada, essencialmente, ao avanço e à duração da pandemia da Covid-19 em território nacional, com a consequente adoção, a partir da segunda quinzena de março, de medidas de isolamento social no país.

A projeção para o PIB anual considera que o recuo no segundo trimestre será o maior observado desde 1996, início do atual Sistema de Contas Nacionais Trimestrais.

No âmbito da oferta, o crescimento esperado da agropecuária foi reduzido de 2,9%, no último RI, para 1,2%. Essa redução reflete menores expansões nos levantamentos para a safra de grãos e, principalmente, na estimativa para o desempenho da pecuária, em razão dos impactos da pandemia sobre a demanda interna e externa por proteínas.

A previsão para a variação do setor industrial foi reduzida de -0,5% para -8,5%, com perspectiva de recuo em todas as atividades em função de efeitos do surto da Covid-19 maiores do que os antecipados anteriormente.

A projeção para o desempenho da indústria de transformação passou de variação de -1,3% para -12,8%, motivada pela maior retração na demanda final, principalmente por bens de consumo duráveis e de capital, além da redução na oferta resultante das medidas de distanciamento social. “A variação estimada para a produção da indústria extrativa recuou de 2,4% para estabilidade, ante expectativa de menor demanda por minério de ferro e petróleo, em cenário de maior desaceleração mundial”, explicou o BCB no relatório.

Para o setor de construção, a projeção apresenta retração de 6,7%, comparativamente à projeção de recuo de 0,5% feita em março, repercutindo comportamento de maior cautela das famílias e dos empresários do setor, além de diminuição no ritmo de algumas obras pela necessidade de adoção de protocolos especiais para prevenir contágio pelo novo coronavírus.

Estima-se queda de 5,3% no setor terciário em 2020, ante estabilidade projetada em março. Destacam-se as revisões em setores mais afetados por medidas de restrição de mobilidade: o comércio de -0,7% para -10,8%; transporte, armazenagem e correio, de -1,2% para -13,4%; e outros serviços – que engloba atividades como alojamento, alimentação fora de casa e atividades artísticas – de -1,1% para -9,4%. Segmentos como administração pública e aluguéis, com significativa representação no setor terciário, tendem a ser menos impactados.

Com relação aos componentes domésticos da demanda agregada, espera-se contração expressiva do consumo das famílias, apesar da magnitude das medidas governamentais de transferência de renda. Em relação ao último RI, a projeção foi revista de crescimento de 0,8% para queda de 7,4% em virtude dos impactos maiores do que os antecipados anteriormente da pandemia sobre o comportamento dos consumidores e a evolução da massa de rendimentos do trabalho, além dos efeitos decorrentes das medidas de distanciamento social e de restrições à mobilidade.

A perspectiva de efeitos mais pronunciados da pandemia sobre a atividade econômica e incertezas elevadas em relação ao processo de retomada devem ocasionar postergação de decisões de investimentos. “Nesse contexto, a previsão para o desempenho anual da formação bruta de capital fixo (FBCF) mudou de -1,1% para -13,8%. A projeção para o consumo do governo permaneceu inalterada (0,2%). Apesar da estimativa de significativa perda de receitas, o governo deve preservar gastos essenciais em momento de crise”, mostra o relatório.

As exportações e as importações de bens e serviços, em 2020, devem variar, na ordem, -8,1% e -11,1%, ante projeções respectivas de 0,9% e 0,6% apresentadas no RI anterior.

A redução na projeção para exportações resulta da expectativa de menor demanda externa, especialmente por bens manufaturados, em virtude de reavaliação da atividade econômica global. Já a diminuição na estimativa para as importações reflete a redução nas projeções de crescimento da atividade doméstica, em especial da indústria de transformação e da FBCF, com o consequente decréscimo nas aquisições de insumos e de máquinas e equipamentos, bem como a perspectiva de redução do consumo das famílias.

Tendo em vista as novas projeções para os componentes da demanda agregada, as contribuições da demanda interna e do setor externo para a evolução do PIB em 2020 são estimadas em -6,9 p.p. e 0,5 p.p., respectivamente.

Sobre o IPCA

De acordo com a Pesquisa Focus, a mediana das projeções para a variação anual do IPCA em 2020 teve forte redução: de 3,10% em 13 de março para 1,60% em 12 de junho de 2020. A mediana das projeções para 2021 também recuou, de 3,65% para 3,00%.

Para 2022 e 2023 se mantiveram em 3,50%. Para a inflação 12 meses à frente, suavizada, a mediana das previsões passou de 3,49% para 3,25%. As medianas das expectativas para o aumento dos preços administrados ou monitorados por contratos em 2020 e 2021 atingiram, respectivamente, 1,00% e 3,78% em 12 de junho de 2020 (3,30% e 3,80% em 13 de março). A mediana das projeções para 2022 foi reduzida de 3,75% para 3,50% e permaneceu em 3,50% para 2023.

Atividade Econômica

A atividade econômica e o mercado de trabalho foram marcados por mudanças bruscas desde a segunda metade de março, repercutindo os impactos do avanço da pandemia da Covid-19 no país. Em decorrência da rapidez e da relevância desses movimentos, o Banco Central passou a monitorar um conjunto maior de informações1, incorporando, em especial, indicadores de maior frequência – diária ou semanal – e tempestividade, relativamente às estatísticas mensais usualmente consideradas.

Para a avaliação da atividade industrial no curto prazo passaram a contribuir as informações de receita nominal de vendas da indústria, provenientes das secretarias de fazenda de São Paulo e do Rio Grande do Sul (a partir das notas fiscais eletrônicas – NFE-SP e NFE-RS), e do consumo de energia elétrica para segmentos da produção fabril adquirida no mercado livre de energia, disponibilizadas pela CCEE.

Por outro lado, as produções de veículos e de materiais de transporte recuaram acentuadamente no final de março, permanecendo em patamares bastante deprimidos.

As vendas de cimento pelas indústrias de São Paulo e a energia elétrica destinada à produção desse insumo, em conjunto com dados de vendas de material de construção no comércio varejista, sugerem que o setor de construção experimentou recuperação rápida e significativa após o declínio ocorrido no início do período de distanciamento.

 

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