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RESUMO DA SEMANA – 20 a 24/07/2020

Data de criação:

access_time 24/07/2020 - 16:09

Data de atualização:

access_time 25/11/2020 - 19:25
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A semana ultrapassada trouxe com ela a mudança na principal preocupação dos investidores em todo o mundo. A nova onda de contaminação pelo covid-19 e/ou sua expansão, acabou cedendo lugar para a deterioração das relações diplomáticas entre os EUA e a China, no cenário internacional. No âmbito local, tivemos a entrega pelo governo de sua primeira fase da reforma tributária, que vai compor quadro com a proposta que está sendo discutida no Congresso Nacional. Houve muitas críticas de diferentes segmentos empresariais, relacionados ao crescimento da carga tributária.

 

No exterior tivemos o acirramento das tensões entre os EUA e a China, com o governo americano exigindo e dando 72 horas para que a China encerrasse as atividades no consulado de Houston, alegando espionagem. Trump e seu secretário, Mike Pompeo, deram declarações duras sobre o tema, acrescentando que outros consulados poderiam ser fechados em outras regiões. Além disso, seguiram pressionando aliados com relação a não usarem a gigante de tecnologia Huawei como fornecedora de equipamentos na área de 5G. Também entraram, junto com o Brasil, com representação na OMS, questionando que não adotam práticas de mercado. Pompeo declarou que Xi Jinping (presidente da China) apoia ideologia totalitária.

 

A China, por sua vez, alega que a OMC não é o local para discussão sobre práticas de mercado, foi firme na posição às investigações dos EUA sobre possível manipulação de sua moeda, o yuan, exigindo também que os EUA encerrem atividades na representação em Chengdu. A Huawei nega qualquer envolvimento com espionagem ou roubo de propriedade intelectual.

Apesar da negativa da Huawei, a situação teve desdobramentos no Reino Unido, retirando a empresa das concorrências e também com a França indicando que as empresas deveriam se afastar de contratar equipamentos produzidos pela empresa. A China disse que o Reino Unido terá que arcar com as consequências de seus atos.

Coadjuvante nisso, tivemos a expansão da onda de contaminação pela covid-19 com epicentro nos EUA (Flórida, Texas e Califórnia), com recordes diários em sequência, mas também ampliou o contágio na Espanha, Japão, Bulgária e Hong Kong; principalmente. Trump segue alegando que o aumento de casos (passa de 4 milhões de infectados) se deve à testagem maciça de pessoas.

 

Mas é fato que em algumas regiões as restrições de contato social foram elevadas, o que pode retardar a recuperação econômica americana e no mundo. Ressaltamos que os EUA compraram toda a produção de vacinas que serão produzidas pela Pfizer e BioNtech e a China disse que vai liberar empréstimos de até US$ 1 bilhão para países da América Latina comprarem sua vacina.

Citamos ainda os problemas relacionados ao Brexit, com a União Europeia declarando que a postura do Reino Unido torna impraticável a execução de acordos comerciais. O FMI também declarou que a perspectiva de uma segunda onda de contágio agrega grande incerteza as perspectivas de retomada econômica global e que nos últimos três meses já proveram recursos para mais de 72 países que entraram no Fundo solicitando ajuda.

 

Depois de muita disputa judicial na Alemanha e muita discussão na Comissão Europeia, o fundo de recuperação econômica para região foi finalmente aprovado, restando ainda ser aprovado no parlamento europeu. Em termos de estímulos foram destinados recursos da ordem de 1,8 trilhão de euros, sendo que 750 bilhões de euros para empréstimos aos países. A presidente do BCE (BC europeu) Christine Lagarde achou justa a proporção de destinação dos recursos.

 

Em termos de indicadores da economia, destacamos o aumento dos pedidos de auxílio-desemprego na semana anterior nos EUA com expansão de 109 mil, indo no total para 1,42 milhões, quando o previsto era 1,3 milhões, como consequência da expansão do contágio pela covid-19. O índice de atividade industrial nacional de Chicago subiu para 4,11 pontos em junho, de anterior em 3,50 pontos. As vendas de imóveis usados de junho expandiram 20,7% e as de imóveis novos com +13,8%. O índice de atividade PMI composto (indústria e serviços) de julho subiu para 50 pontos, bem na fronteira entre expansão e contração da atividade.

 

Falando em indicadores PMI de julho, ao longo do período foram anunciados para diferentes países, todos mostrando expansão. Na Alemanha, o PMI composto cresceu para 55,5 pontos, no maior patamar em 23 meses e o industrial em 50 pontos. Na zona do euro, o composto atingiu 54,8 pontos de anterior em 48,5 pontos e o industrial indo para 51,1 pontos. No Reino Unido, alta expressiva do índice composto para 57,1 pontos, industrial em 53,6 pontos e serviços em 56,6 pontos. Ainda no Reino Unido, as vendas no varejo de junho superaram de longe as previsões com aumento de 13,9%, quando o previsto era 8%.

 

Na Turquia, o banco central decidiu manter os juros básicos estáveis em 8,25% e a Rússia voltou a reduzir 0,25% com a taxa indo para 4,25%. Enquanto isso, vários bancos centrais mantiveram o discurso de que tudo será feito parra mitigar impactos nas economias e que as políticas monetárias devem seguir na direção por bastante tempo. Já governos como o da China, EUA e Japão insistem que podem usar novos estímulos e nos EUA o empenho para mais um pacote segue grande entre congressistas e governo.

A safra de resultados do segundo trimestre também promoveu alterações pontuais nos preços dos ativos e tivemos ruídos envolvendo as empresas de tecnologia, com fortes realizações depois de o Nasdaq ter batido recordes sistemáticos. Ruídos também no petróleo com a OPEP querendo liberar progressivamente maior oferta de óleo a partir da reabertura das economias e com a elevação dos estoques na economia americana na semana anterior. Resultado: mercados com forte volatilidade intra e entre pregões.

 

No cenário local, com o presidente fora de combate pela covid-19 (testou positivo novamente) o lado político ficou mais tranquilo e os investidores dedicaram atenção para o projeto de reforma tributária em sua primeira fase, encaminhado aos presidentes das duas casas (Câmara e Senado) pelo ministro da economia Paulo Guedes na tarde da terça-feira. O projeto basicamente constou de juntar PIS e COFINs em uma única contribuição CBS (contribuição sobre bens e serviços), com alíquota de 12%, que acabou sendo muito criticada por segmentos empresariais mostrando aumento da carga tributária. O Consefaz versou sobre isso e a Febraban questionou o aumento para as instituições financeiras.

 

De qualquer forma, tudo isso ainda vai gerar muito ruído e ser melhor aclarado e modificado na comissão mista que irá avaliar e no plenário. No Brasil, nunca foi fácil mexer em impostos e não será dessa vez, apesar do Congresso ser tomado como reformista. Os governadores desejam reforma profunda e os prefeitos querem deixar fora a tributação do ISS (imposto sobre serviços. Vamos ter que avaliar os próximos rounds e o ministro Paulo Guedes ainda promete mexer no IR, IPI e tributação sobre dividendos.

 

O governo também teve que absorver uma derrota na aprovação do texto-base do Fundeb e com isso terá que rever sua estratégia de articulação política e como atrair o centrão. Bolsonaro também segue esperando que o Congresso aprove o projeto de regularização fundiária. Na economia, Maia junto com Funchal (novo secretário do Tesouro), acham fundamental manter o teto de gastos e evitar mudanças que não seriam bem vistas, principalmente no exterior.

 

Na economia, a nova pesquisa Focus do Bacen veio com pequenas alterações, mas no sentido positivo, com a queda do PIB suavizando para -5,95% (de -6,10) produção industrial em queda de 7,86% (de -9%) e contas externas melhorando com superávit comercial subindo para US$ 55,15 bilhões e dólar estável em R$ 5,20. A prévia da inflação oficial também veio bem, com o IPCA-15 em alta para 0,30%, acumulando no ano, 0,67% e em alguns meses em 2,13%. Já a arrecadação de junho ficou em R$ 86,3 bilhões, acumulando no ano R$ 666 bilhões (menor que a prevista), com queda de 14,7%. Em junho tivemos a menor arrecadação desde 2004.

 

No mercado, muitas oscilações das principais ações, até por conta do vencimento de opções para o prazo julho na B3, com exercício de R$ 12 bilhões, sendo R$ 10,2 bilhões em opções de compras. Os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos na Bovespa, e até a sessão de 21/7, o mês de junho ainda estava negativo em R$ 4,6 bilhões e o ano de 2020 com saídas líquidas de R$ 81,12 bilhões.

 

INDICADORES DA SEMANA

 

IBOVESPA -0,49% (102.381)

DOW JONES -0,75%

NASDAQ -1,33%

DÓLAR -3,235 (R$ 5,206)

 

PERSPECTIVAS

 

Nesta próxima semana poderá ser difícil a previsão para os mercados de risco. O fator preponderante deve continuar a ser as relações diplomáticas entre os EUA e a China, que tende a ampliar ruídos por conta das eleições nos EUA e com Donald Trump atrás nas pesquisas em relação ao Joe Biden. Certamente os discursos vão mirar sobre a China e a gigante de tecnologia Huawei, detentora maior da tecnologia 5G e acusada de espionar.

 

A semana também embute a decisão do FOMC do FED sobre política monetária, seguida de entrevista coletiva do presidente Jerome Powell. Não é de se esperar nenhuma alteração na taxa de juros, até por conta de FOMC sempre negar taxas negativas, mas Powell pode elucidar os próximos caminhos. Também se espera que um novo pacote fiscal possa ser anunciado, sendo essa a vontade de Mnuchin, o secretário do tesouro e de Donald Trump que gostaria de incluir menor carga sobre a folha de pagamentos.

Permeando o cenário externo e também local, teríamos a avaliação sobre eventual segunda onda de contágio pela covid-19, ou a simples expansão de infectados e óbitos. Isso é que vai determinar novas políticas de isolamento ou a recuperação mais acelerada das economias.

 

Aqui será preciso dimensionar a relação do governo com a formação de base firme de apoio, depois da derrota sofrida na semana com o Fundeb. Será preciso também avaliar os ruídos causados pela reforma tributária, principalmente depois de algumas manifestações sobre aumento da carga tributária, e ainda na primeira fase.

Em termos de análise técnica, seria bom não perder o patamar próximo de 100 mil pontos e na postura mais otimista ganhar o patamar acima de 107 mil pontos.

 

Boa semana.

 

Alvaro Bandeira

 

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