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Capital Research tem visão positiva para papéis de supermercados

Data de criação:

access_time 16/04/2020 - 10:57

Data de atualização:

access_time 16/04/2020 - 10:57
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A Capital Research considerou os supermercados como um dos setores essenciais para atuar durante o isolamento social, implementado como parte do controle da pandemia do novo coronavírus, ante a corrida atrás de mantimentos. De acordo com a bandeira de cartões Elo, apenas entre 9 de março e 01 de abril, houve aumento de 25% nas vendas desses estabelecimentos. Este é o tema do novo relatório realizado pelo analista Felipe Silveira.

“A população tende a comprar mais nos supermercados por conta de um medo natural de desabastecimento. Podemos considerar, ainda, que existe uma tendência de que as pessoas queiram fazer compras mais robustas para não precisarem sair de casa muitas vezes durante o mês para comprar comida e outros itens de primeira necessidade”, comenta Silveira.

Na bolsa, o setor é representado por dois grandes conglomerados: o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) e o Carrefour (CRB3). O primeiro, dividido nos segmentos de multivarejo (Pão de Açúcar, Extra, Compre Bem e variações de cada uma das marcas), marcas próprias (Qualitá e taeq) e atacarejo (Assaí), possui presença também no exterior, com operações na Colômbia, Uruguai e Argentina, por meio do grupo Êxito. O segundo também atua no varejo e no atacarejo, com as marcas Carrefour e Atacadão, respectivamente, e conta com marcas próprias de produtos.

No entanto, apesar das similaridades, os dois grupos possuem algumas diferenças importantes. “O Carrefour listado por aqui não atua fora do país, pois as lojas da rede no exterior são controladas pela matriz francesa. Além disso, a companhia conta com um e-commerce, voltado principalmente à venda de eletrônicos e eletrodomésticos, produtos que tendem a vender menos com a diminuição da renda das famílias brasileiras”, afirma o analista.

Mesmo com forte atuação online, as vendas de alimentos do Carrefour por este canal representam pouco perante o faturamento total do grupo. Em 2019, por exemplo, o total de vendas online de alimentos foi de cerca de R$ 209 milhões – o que, apesar de representar um crescimento de quase 400%, ainda é uma fração ínfima das vendas brutas de R$ 62,2 bi. Já o GPA, segundo dados da Nielsen, tem cerca de 70% de market share nas compras online de alimentos e atua por meio de seu aplicativo próprio, o James, que tem mais de 1 milhão de downloads no Google Play, enquanto o Carrefour vende via Rappi, no qual ele disputa a atenção dos usuários com outros players.

Ao analisar os faturamentos dos dois grupos, o relatório da Capital Research mostra que o Pão de Açúcar atingiu R$ 61,5 bi em 2019, enquanto o Carrefour alcançou os R$ 62,2 bi já mencionados. A diferença, de acordo com Silveira, pode não parecer muito expressiva, mas esconde alguns pontos. “Apesar desses números, o lucro do Carrefour foi mais do que o dobro do GPA (R$ 1,9 bi contra R$ -790 milhões). Parte disso deve-se ao resultado negativo das operações do Pão de Açúcar fora do Brasil, com prejuízo de R$ 154 milhões”, comenta o especialista.

Além disso, para o analista, a relação entre caixa e dívida das empresas também é um fator relevante de análise: o Carrefour possui R$ 5,6 bi em caixa e dívida bruta de R$ 5,3 bi, ou seja, seria possível pagar toda a sua dívida com o caixa atual e sobraria dinheiro. Já o Pão de Açúcar tem R$ 7,9 bi em caixa, mas dívidas de R$ 14,1 bi. “A posição financeira das duas companhias é confortável, mas novamente o Carrefour se destaca”, afirma.

Consideradas as diferenças, a casa de análises tem uma visão positiva para os papéis do setor a longo prazo, apesar de notar alguns riscos para as duas empresas.

“No caso do Pão de Açúcar, isso vem principalmente da sua alavancagem mais elevada, enquanto, por outro lado, deve se beneficiar no curto prazo da sua exposição quase exclusiva ao varejo alimentar. No Carrefour, os resultados recentes têm sido mais sólidos, mas a exposição, especialmente na operação online, a itens não alimentares, sobretudo, eletrônicos e eletrodomésticos, tende a levar a companhia a sofrer mais com a restrição da renda das famílias, especialmente se a recuperação pós-lockdown for demorada”, finaliza Silveira.

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